segunda-feira, 22 de abril de 2013

Objetivas de terceiros: Sigma, Tamron e Tokina

Quem possui uma câmera reflex ou mirrorless com certeza já ouviu falar nas objetivas de terceiros. São modelos fabricados por fabricantes como SigmaTamron ou Tokina, em geral disponíveis para mais de um marca de câmera. Em fóruns de fotografia internet afora não é incomum encontrar opiniões pejorativas em relação a essas objetivas, muitas vezes sem embasamento real e sim aquele clássico "ouvi fulano falar que sicrano teve problema com a objetiva tal, por isso não recomendo".
A ideia com esse texto é desmistificar essas objetivas e mostrar os prós e contras de optar por um modelo que não foi concebido pelo fabricante da sua câmera, e com isso permitir ao leitor tomar uma decisão mais acertada na hora de escolher uma nova objetiva.
Algumas características dos modelos de terceiros:
  • Engenharia reversa: os grandes fabricantes, preocupados em manter gordas margens de lucro e evitar a concorrência, não licenciam o seu mount (baioneta) para outros fabricantes fabricarem objetivas compatíveis. A solução encontrada foi a engenharia reversa: analisam o funcionamento das objetivas originais e o replicam em seus modelos. Por esse motivo no passado era muito comum no lançamento de uma nova câmera as lentes de terceiros deixarem de funcionar corretamente. Hoje em dia os problemas são muito raros.
  • Custo: Ninguém vai comprar uma objetiva equivalente de um fabricante não autorizado se o modelo original tiver o mesmo custo. Por esse motivo, o preço das objetivas de terceiros em geral é menor, porém isso não é de graça, algum recurso acaba sendo simplificado, como o mecanismo de foco ou a própria construção.
  • Modelos exclusivos: Sabe aquela objetiva que você queria muito porém seu fabricante não oferece, ou cobra um preço extorsivo por enquadrá-la na linha premium (e os resultados muitas vezes nem são tão premium assim)? Pois bem, é bem possível que a encontre nos catálogos da Sigma, Tamron ou Tokina. Alguns exemplos são a Sigma 30 mm f/1.4, que oferece uma lente equivalente à 50 mm f/1.4 pras câmeras "cropadas", a Tamron 60 mm f/2, objetiva única que combina abertura f/2 adequada a retratos com a capacidade de macro 1:1, ou a Tokina 11-16 mm f/2.8, grande angular com abertura f/2.8 inexistente na linha de qualquer outro fabricante.
Embora compartilhem a mesma situação perante os fabricantes de câmeras, cada empresa possui peculiaridades no portifóilio de produtos e recursos, que tentarei resumir abaixo:

Sigma

Hoje a maior fabricante de objetivas de terceiros, e não é difícil acreditar. Possuem uma lista extensa de modelos ocupando praticamente todas as categorias existentes: lentes fixas, zoom, olho-de-peixe, grande angular, lente normal, tele, super tele e macro. Oferecem diversas lentes exclusivas, abaixo uma pequena amostra:
  • 8-16 mm f/4.5-5.6 EX DC HSM: Oferece um ângulo de cobertura próximo a 12-24 em câmeras "cropadas", as alternativas da concorrência, mesmo as originais, começam em 10mm, o que é um diferença brutal em grande angulares.
  • 18-35 mm f/1.8 DC HSM: Recentemente anunciada, é a objetiva zoom pra DSLRs com mais abertura disponível. O mais próximo seriam as objetivas f/2.8, e ela ainda tem 1 ponto e 1/3 de vantagem na luminosidade. Se mantiver o histórico recente da Sigma tem tudo para se tornar objeto de desejo.
  • 50-500 mm f/5-6.3 EX DG OS HSM: Também conhecida como "Bigma", é uma teleobjetiva que oferece 10x de zoom, valor que não é encontrado nem na Nikon ou na Canon, cujas concorrentes seriam a 80-400mm e 100-400mm, respectivamente. Aliás, não existe objetiva zoom original que alcance os 500mm oferecidos por essa belezinha.
  • 200-500 mm f/2.8 EX DG: Um monstro, em todos os sentidos. Mais do que uma zoom, ela chega a 500mm, e com abertura f/2.8!!! Poucas são as fixas 500 mm com essa abertura. Acompanha um teleconversor dedicado 2x, que a transforma em uma 400-1000 mm f/5.6. Ela vem em caixa própria pra transporte, desenhada originalmente para transporte de rifles! Pesa estúpidos 16 KG e pode ser sua por apenas US$25.999,00. Corra e garanta a sua já!
  • 300-800 mm f/5.6 EX DG HSM: Apelidada de "Sigmonster", foi pensada em fotógrafos de vida selvagem, mantém f/5.6 em todas as distâncias focais. Tudo isso por metade do preço de uma 800mm f/5.6 fixa.

A singela 200-500mm f/2.8
A Sigma tem recursos tecnológicos similares àqueles encontrados nos principais fabricantes. Seu HSM (HyperSonic Motor) equivale aos motores USM e SWM da Canon e Nikon, e o OS (Optical Stabilizer) faz as vezes do IS e VR. Por outro lado ela também é campeã em problemas e inconvenientes para os proprietários. Há diversos problemas de precisão do autofoco, bem como um revestimento que tendia a descascar com o tempo. Felizmente a Sigma trocou o revestimento nos modelos mais recentes.
Sobre a qualidade óptica, em geral os resultados das objetivas Sigma são intermediários. Não são extraordinários em nenhum quesito, mas raramente são decepcionantes. Os últimos lançamentos porém tem oferecido ótimos resultados, que não ficam a dever frente aos outros fabricantes.

Tamron

A Tamron não possui uma linha tão variada quando a Sigma, oferecendo apenas objetivas zoom e fixas macro. Ela tem um bom histórico em objetivas "standard zoom" com abertura f/2.8, com as famosas 17-50 e 28-75, que custando cerca de US$500 eram excelentes alternativas para quem não tinha condição de gastar mais que o dobro em uma objetiva original similar. Alguns de seus modelos mais renomados:
  • 17-50 mm f/2.8 XR: Essa objetiva para câmeras "cropadas" e que ilustra esse artigo fez muito sucesso por apresentar uma qualidade óptica próxima às rivais da Canon e Nikon custando cerca de US$500, enquanto suas concorrentes originais ultrapassavam facilmente a barreira dos US$1000. Seu único porém é não oferecer um motor ultrassônico, mas ainda assim atende plenamente a entusiastas que não estão dispostos a gastar tanto ou mesmo profissionais com orçamento limitado. A versão estabilizada (VC) possui conjunto óptico diferente e os resultados são levemente inferiores.
  • 18-270 mm f/3.5-6.3 VC PZD: Até o lançamento da 18-300 da Nikon ela ocupava o trono das objetivas superzoom para reflex. Esse modelo conquistou muitos fotógrafos que preferem uma única objetiva versátil a realizar trocas freqüentes de acordo com o assunto.
  • 60 mm f/2 Macro 1:1: Objetiva com proposta bem interessante,  servindo tanto como objetiva macro quanto como objetiva para retratos, pela abertura f/2, não encontrada em nenhum modelo da concorrência. Possui óptica invejável, foco FTM (Full Time Manual). O único ponto fraco é a falta de um limitador de foco.
  • 90 mm f/2.8 Macro 1:1: Aqui não falamos de um modelo específico, e sim de toda uma série. A Tamron já ofereceu diversos modelos com essa distância focal, sempre reconhecidos por sua qualidade óptica. A última versão inclui estabilizador de imagem e motor ultrassônico.
  • 24-70 mm f/2.8 VC USD: Um dos últimos lançamentos da Tamron, destaca-se por ser a única objetiva 24-70 com estabilização de imagem no mercado.
Última versão da 90mm Macro, com estabilizador de imagem e motor ultrassônico
Na parte óptica a Tamron apresenta resultados mais consistentes que a Sigma, porém não evoluiu tão rápido a mecânica de suas objetivas. Apenas a partir de 2010 introduziu modelos com motor ultrassônico (USD) ou mesmo estabilização de imagem (VC), mas ainda tem vários modelos à venda com foco por motor convencional, atualizando gradualmente sua linha para agregar os novos recursos.
É possível notar nos lançamentos recentes da Tamron um posicionamento visando abocanhar o  mercado profissional. Se antigamente o apelo eram preços bem mais baixo por modelos similares, agora os preços não são tão mais baixos, as objetivas apresentam um visual mais imponente e a parte mecânica já não fica atrás dos modelos originais. Se a 28-75 custava US$500 rivalizando as 24-70 de US$1500, a nova 24-70 VC USD chegou por US$1300 para enfrentar os modelos da Canon e Nikon custando entre US$1800 e US$2300. Ainda é mais barata, mas já não custa um terço de uma original.

Tokina

A Tokina é um fabricante no mínimo curioso. Possui a menor linha entre os fabricantes, e é notória sua preocupação com a qualidade dos produtos. Algumas características se sobressaem até frente aos modelos originais, como a construção feita integralmente em metal e a utilização de diafragma com nove lâminas em todos os modelos em linha. Entre seus maiores destaques estão as seguintes objetivas:
  • 16-28 mm f/2.8 PRO FX: Uma zoom grande angular para câmeras full frame muito respeitada. Oferece boa qualidade de imagem, porém seu alcance é inferior à ofertas originais (16-35 mm no caso da Canon e 17-35 mm no caso da Nikon)
  • 11-16 mm f/2.8 PRO DX: É a única objetiva zoom grande angular para câmeras com fator de corte a oferecer abertura f/2.8. A objetiva que chega mais próxima é a Sigma 10-20 mm f/3.5, mas ainda é 2/3 de ponto mais escura. Em contraste à grande abertura possui apenas 1,5x de capacidade de zoom.
Um dos modelos mais conhecidos da Tokina, por sua abertura máxima exclusiva
Infelizmente nem tudo são flores na Tokina. Um exemplo é seu site, em geral muito defasado. Não é incomum encontrar modelos já descontinuados como se ainda estivessem em linha, assim como modelos já anunciados em feiras e eventos que sequer aparecem em seu portifólio.
Os projetos ópticos da Tokina, apesar de bons em diversos quesitos, não evoluíram como os de suas concorrentes. Em geral são utilizados poucos elementos de vidros especiais e alguns defeitos não são muito bem corrigidos, em especial a aberração cromática, problema que acomete a maioria dos modelos. Alguns chegam a afirmar que seus projetos não evoluiram muito desde a época do filme, o que explicaria essas limitações.
Do ponto de vista mecânico, a construção inspira robustez, mas peca em outros aspectos como a falta de um motor ultrassônico, suporte a FTM ou estabilizador de imagem. Ela já anunciou novos modelos com motor ultrassônico, mas é difícil saber quando estarão disponíveis, uma vez que sequer foram incluídos no website da empresa.

Conclusões

As objetivas de terceiros podem atender plenamente em diversas circunstâncias, como quando existe uma restrição financeira ou é necessário uma característica não oferecida nos produtos do fabricante do corpo. Ainda que a motivação seja puramente financeira, os resultados podem surpreender, e de forma positiva.
Um problema no Brasil é a falta de suporte e garantia, no momento nenhuma das fabricantes apresentadas possui representação oficial no Brasil, o que é um grande problema quando se precisa de manutenção ou peças de reposição. A representante da THK (controladora da Tokina, Hoya e Kenko) estava com um stand na Photo Image Brazil 2012 e informou que em 2013 teria objetivas à venda oficialmente no Brasil, mas sem maiores informações ou anúncio oficial até o momento.
Se houver condições e for necessário máxima confiabilidade, a melhor alternativa ainda são as objetivas do próprio fabricante da câmera. Isso de forma alguma desabona os produtos de terceiros, que vem evoluindo rapidamente a cada geração, especialmente aqueles produzidos pela Sigma e Tamron. A própria relutância da Canon e Nikon em licenciar suas baionetas pode ser considerada uma preocupação de que outras fabricantes consigam aumentar a participação no lucrativo mercado de objetivas com produtos ainda mais competitivos.

3 comentários:

Fátima disse...

Bastante esclarecedor.

Fátima disse...

Bastante esclarecedor.

Rodrigo Eduardo disse...

Conteúdo de primeira !
Parabens.

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